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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

24 de Setembro de 2020

Querido diário,

 momentos em que queremos desesperadamente fugir. Não é preciso ter uma patologia psicológica e só necessário ser humano! Esta semana quis tantas vezes faze-lo. Existem coisas que saem do meu controlo e isso causa-me mau estar.

Na verdade não controlamos nada. Ou quase nada. E esta em questão deixa-me louca. Chego a casa todas as noites queixando-me e esqueço-me como o dia é bom. Como agora a minha vida é deliciosa. Como partilha-la com o Paulo é mágico! Estou genuinamente feliz. Estou naturalmente envolvida no nosso projecto de "adultos".

Não quero voltar à criança. Quero crescer. Quero fazer diferente. Quero ser feliz comigo. Quero ser feliz com ele. 

Outra bênção: a mãe dele! Podes não acreditar diário. Mas ela está a tornar-se uma grande amiga. Já temos programas nossos e conversas intimas. Ela ajuda-me em tudo e apoia-me incondicionalmente como uma filha. E sinto-me genuínamente em casa.

Apesar de essa casa estar onde o Paulo está. Esse tecto, essas paredes, esse chão está onde bater o seu coração e onde as nossas mãos forem juntas. 

Vou descansar. E pensar que a próxima semana será melhor. Porque é sempre para melhor, não é?

M

Carta de amor

O que acham de um livro de cartas de amor?

A primeira carta:

"Começo aqui,
No momento que sei que não te encontrei. Já me tinha deparado contigo em outras existências. Outros empurrões. Outros safanões. Outras festas. Outros deleites.
Não me eras. Não me és. Pertences ao Universo e é Nele que deves permanecer. Persistir nessa vontade de só estar aí. Neste canto da sala. Como aqueles bibelôs dos nossos avôs. Preciosidades de porcelana rosa por toda a sala. Aliás! Por todo o espaço da casa. Tu és isso: casa. Estás por todo o lado. Respira-se o teu nome. Inalasse a tua fragrância.
Por vezes também se absorve saudade. Como um fado triste que se canta enquanto se regala o estômago com um caldo verde. É uma antítese. Enquanto se chora cantando, gozasse comendo. És isso: tempestade num alto mar maravilhosamente azul e infinito. És um prado verdejante de flores amarelinhas. Oh meu querido amor, como são amarelas as Margaridas. E como só poderias ter nome de flor. Aliás, tens todos os nomes de mulher, pois não és mais que todas as que existem, existiram ou existirão.
Sei que é meio saloio o que escrevo, possivelmente já te encontras a dormir. Mas este amor tão grande não me cabe dentro e a ti creio que também não (apesar da tua da sonolência).
Ouço Strauss e sinto-nos a dançar num largo salão. Rodopiando em nós mesmos. Como dois amantes da Disney. Como personagens de um romance delicado. De culto. O nosso amor é um oásis no meio deste areal seco onde vivemos. Atrás de máscaras que protegem a nossa vida mas que ocultam a expressão que outrora denunciava os teus finos lábios, o sorriso.
Oh Margarida, Rosa, Gerebera... Oh meu amor, como és delicadamente deliciosa. Agradável. Cheirosa. Meu campo. Meu jardim. Meu tudo.
Como comecei, sei que não te encontrei. Estavas cá. Desde sempre. O dia zero. Mas mesmo assim contamos dias, meses e um dia anos! Como se já não tivessem passado por nós muito mais de 365 dias.
Vou aconchegar-me junto a ti, nessa cama afeiçoadamente ardente. E adormecer. Mas aviso-te! Por poucas horas. Temos muito para existir. Para perpetuar e tatuar nas ruas o nosso odor de amor.
Agora descansa,
Do teu amor."

21 de Setembro de 2020

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Querido diário,

nesta vida tenho descoberto encontros que enchem até ao estômago. Tenho reconhecido rostos que me rasgam o rosto. Tenho amado de mão cheia e coração quente. Tenho sentido a verdadeira magnitude de estar viva. 

Tenho chorado como marés. Tenho gritado como animais. Tenho passeado ao compasso de chitas. 

Tenho estado tão presente nisto que é a vida que por vezes só descanso quando o meu corpo já não aguenta mais emoção. Quando os meus braços caem sobre terra. 

Esta noite rezarei. Pedirei para viver mas com os amortecedores calibrados. Para que as lombas não sejam tão sentidas e os beijos de língua sejam o quotidiano.

M

 

20 de Setembro de 2020

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Querido diário,

sem dúvida o amor resgata-nos. Seja qual o tipo de amor que for! 

A madrugada de sexta foi terrível para mim. Desci ao lado mais negro de mim, raspei as paredes, berrei a Deus! Pedi a morte em silêncio enquanto ele me olhava com ternura. 

Não encontro uma resposta. Ou melhor, existem várias hipóteses que não estou preparada para partilhar! A verdade é que o Paulo esteve ao meu lado até eu cair exausta e de lágrimas no rosto.

Sermos vulneráveis ao pé de quem amamos é um ato de coragem. Não tenham dúvidas. Mas ser vulnerável ao lado dele, quase, pela primeira vez. Deixou-me insegura. Absolutamente perdida por um sábado que passei a curar a dor. Passei-o a dormir ao lado dele, quando não era esse o combinado. Mas mais uma vez a sua inteligência emocional fê-lo ficar a contemplar-me enquanto dormia da dor.

Quando finalmente repus energias só tive vontade de o tocar e sentir. Um fervor que não sei de onde veio mas que sarou qualquer ferida que eu tinha. Um amor milenar, como já referi. 

Ele é a minha pessoa, estou em casa. Dia 1000000000000♥️✨

M

 

 

15 de Setembro de 2020

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Querido diário

e puffffff ... enquanto procuramos a nossa casa e depois de “obrigados” a passar mais tempo do que esperávamos na casa do Paulo decidimos dar o passo. Viver uma vida juntos ♥️ Muitos diriam que somos loucos. Como dois amantes de tão tenra relação assumem assim um compromisso num mundo tão descartável como este. Exato, num mundo tão descartável como este! Mas nós assumimos. Depois de quase um mês juntos na mesma casa quisemos crescer para os lados e para cima e naquela que é a casa dele e da mãe, ser também a nossa primeira morada. Se isto fosse um contrato, diria que já estamos quase a concluir o primeiro mês juntos com distinção! 

Claro que existe apreensão por vários factores. Não sou louca! Primeiro vivemos três e não só os dois. E por seguinte tive uma experiência de separação muito marcante á dois anos e meio ( penso que este foi o tempo ). Onde sinto que nem eu nem ele fomos felizes no “casamento”. 

Não quero acabar com esta bolha de paixão e amor que eu e o Paulo temos. Mas já temos as rotinas de casal. Fazer as refeições para os trabalhos, limpar, rir nos olhos um do outro, chorar até aos pés... e tanto mais. 

Mas sinto que a nossa relação só melhorou. Estamos mais íntimos, mais equipa (como dizemos na brincadeira). 

Já teve a oportunidade de conhecer os meus podres neste tempo e eu.... bem admito que lhe tiro um ou outro defeito riso. Mas nada que choque! Até fecha o tampo da sanita riso 😂 

Nem tudo serão rosas, bem sei. Mas vamos vivendo o momento e agradecendo ao Universo termos esbarrado um no outro. 

Sei que é ele. Vejo-o nos olhos dele quando refletem o meu rosto. Estou dentro dele♥️✨ E ele dentro de mim. Como diz a Carolina Deslandes “que casa é uma pessoa”. E ele, como já te disse meu querido diário, é a minha pessoa.

Não me anula, não me preenche, não me agride emocionalmente... Ele acrescenta valor á vida e porra é bom para caraças tê-lo todas as manhãs quando desperto🍀 sorte a minha. Não somos perfeitos mas imperfeitos que se tentam aperfeiçoar na vida em conjunto.

M

 

07 de Setembro de 2020

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Querido diário, 

isto de ser “o diário de uma mulher feliz” engloba também estes dias. Dias em que o sol brilha lá fora, aquece-nos e quase nos derrete mas por dentro está um nadinha desarrumado.

Estar desarrumado não significa que não seja feliz, estar um pouco desorganizado diz-me que já esteve organizado e por um espaço pequeno de tempo eu o arrumarei. 

Ser feliz dá trabalho. Aliás, na minha opinião dá mais trabalho que ser triste. Eu já fui integralmente triste, já atravessei poços escuros de depressões (acho que me dá o direito de falar). 

Estar deitada a chorar desgasta mas estar de pé, roupa engomada e olhar para a frente custa tão mais quando o coração quer voltar para aquela horizontalidade. 

Ter a percepção destes dois mundos que vivem dentro de mim é um domínio imenso é incrível que adquiri á pouco tempo. Saber que estar triste não é o estado em que vou ficar , mas uma transição, alenta-me.  

Hoje não estou triste, estou ansiosa. O calor, situações familiares e uma noite mal dormida. Um cocktail para umas horas mais complicadas. Como sempre recorri á meditação para acalmar o peito e obviamente, que ajuda. O Paulo também é um querido e a minha “Rocha”. Ouve-me, melhor, escuta-me. Estas semanas que estamos a passar juntos têm sido, como já verbalizei, muito importantes para o nosso crescimento enquanto casal. Enquanto equipa, como brincamos por vezes. Ele é lindo. E um dos alicerces! 

Diário, continuo por aqui.

M

 

06 de Setembro de 2020

Querido diário,

hoje culminou parte das férias do Paulo♥️ Foi uma semana muito intensa. Passeios pela mata de Alvalade, percursos pelo IKEA, cafés pela avenida... E tanto, tanto amor ✨ É tão lindo quando o amor é recíproco. 

Ele merece tudo de mim. Poderia ser um delírio de apaixonada mas é uma consciência de quem pediu ao Universo uma relação saudável e obteve-a!

Hoje acabamos a noite a comer um gelado no “surf” no fim da Av de Roma. E foi ótimo ❤️✨🤗 

Querido diário,

gratidão! 

M

 

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