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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

26 de Outubro de 2020

Querido diário,

a vida ensinou-me que o que é bom pode demorar. Como um longo encontro de lábios. Mas também me instruiu que poderá chegar como um relâmpago numa árvore solitária no nosso centro. Começará a a arder e alastra por toda a floresta. Por toda a vida.

Podia mentir dizendo que me sinto infeliz por profissionalmente estar parada. Mas vivenciar este amor não me dá espaço para mágoas. Claro que me sinto desconfortável e por isso estou na luta. Mas tenho uma chama acesa de fé, que ninguém rouba, ninguém tira.

Quando acreditamos muito acaba por acontecer. Pois inconscientemente o nosso corpo reage e luta para que consigamos. 

Encontros de alma, acredito que sejam raros, mas sei que encontrei o homem da minha vida. Vejo naqueles olhos cor de horizonte. E são os impulsionadores, junto a mim, da minha garra.

Quando me diz "já te disse que te amo hoje?" Tudo se alinha e a vida é tão mais fixe!

É porreira não é?

 

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(Nós sem filtros. Simplesmente nós.)

15 de Outubro de 2020

Querido diário,

a aceitação do corpo ainda é um tema difícil para mim. Tem os seus dias. Há dias que me sinto uma princesa outras o sapo. 

Balança muito se a balança diz 51 ou 52 kgs. Um quilo! É ridículo eu sei. Até já não me lembro da idade que tinha quando pesei tão pouco. Provavelmente uns 25 anos, não sei. 

Acumularam-se rituais tóxicos, relações igualmente tóxicas que só me fizeram engordar e chegar aos 65 kgs (isto à cerca de 2 anos). O meu nervosismo era de tal ordem nessa fase da minha vida que desenvolvi uma doença auto-imune (urticária). Demorei, pelo que me recordo, um ano a a combater. Uma luta que meteu cortisona. Inchei, não me reconhecia. E só a afastar-me dessas crenças e relações entranhadas é que consegui, até hoje, vencer a doença e perder quase 15 kgs.

Mesmo assim ficou uma fraca auto-estima como "legado". E é contra ela que luto todos os dias. Nesta luta não existe mais ninguém a não ser eu mesma. Os outros até podem dizer que estou magra, que estou bonita, podem encher-me de palavras mas o que importa é como me sinto e como me vejo ao espelho.

Pouco importa se peso 51 ou 65, interessa sim como me sinto com isso. Pois não acredito nos estereótipos da sociedade que uma mulher bonita é magra, esquelética, por vezes. Acredito em mulher de bem com o seu corpo. Com a sua auto-imagem.

Acredito que tenho mais problemas agora ao espelho do que quando tinha 65 kgs

Estou na luta, não estamos sempre?

M

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12 de Outubro de 2020

Querido diário,

e quando tens certezas... Elas são abaladas. O destino dá-te um abanão. Na sexta não comecei a trabalhar por razões que pouco importam. Mas o que importa é que não foi o medo e que as oportunidades de trabalho estão aí.

Estou com mais tempo, pois estou à espera de respostas, então tenho mil ideias de mil tempestades e bonanças. Riso. Como sou de ondas!

O Paulo acompanha tudo com fé e serenidade. A paz que encontrei nele e que ainda me é difícil encontrar em mim. Mas cá tento, da minha forma.

Amanhã tenho intenções de ir à missa. Não vou pedir. Vou agradecer. Pelo Paulo, pela minha irmã, pela Sofia, pela D. Fátima, pelos meus pais, pelo sol, por tudo. Por tudo o que me incendeia e ainda me faz vibrar. Não quero voltar à dor. À depressão. 

Ainda existe festa dentro de mim, querido diário.

Tenho pensado muito na Dra Marta. Fantástica terapeuta. Mas eu acho que isto acontece com todas as minhas relações, seja qual o tipo for, apego-me e depois sinto-me triste quando percebo que a relação não é recíproca. Nunca mais soube dela. Não podemos ser amigas. Ou ela seguir o meu blog. Sinto que nunca acreditou verdadeiramente em mim. Não desceu aos meus demónios comigo, como dizia. É excelente. Não lhe tiro o mérito de me ter salvo. Só não ficou como pensei que ficaria. Seria justo também para ela? Acharia ela que era a altura de nos separarmos terapeuticamente? Nunca saberei.

Boa noite

M

Para ti meu amor

Meu amor,

porque mereces todos os dias uma ou duas palavras que te encham a alma. Índole incrivelmente bela. Que me desperta pela manhã com um sorriso salivado e me deita com um abraço másculo. 

Como é uma imensidão o teu olhar. Envolve-nos na extensão ilimitada do mar. Como são belos os teus olhos. Sei... Sei! Mas não me canso de os olhar meu Romeu. 

Percorres as ruas de Lisboa com uma calma só tua. Pé ante pé, enquanto te puxo para que quase corras. Mas para quê correr na vida? Para ela passar mais depressa? Tens razão! Jamais velocidade. Vamos percorrer o mundo ao teu ritmo para não perdermos nada. Para não nos escapar nenhum som. Nenhum aroma. Nenhum toque. 

E essa pancada leve que me dás na nuca enquanto me beijas. Enquanto nos tocamos de língua, de dentes, com tudo! Nós vamos com tudo. E não há ninguém que supere isso. Nunca senti esta magnitude com ninguém. Chegas-te, finalmente!

Perdoa-me quando só sei refilar. O amor é assim, um poço de contradições mas o que importa é que todos os dias da nossa vida sejamos felizes um com o outro.

Quero-te

M

07 de Outubro de 2020

Querido diário,

Existem dias que são como murros no estômago. Hoje eu e o Paulo descemos das nuvens pois percebemos a realidade: não somos prefeitos! Nem como casal, nem como pessoas. Não existe perfeição e é aí que reside o encanto. 

Sentamo-nos na cama, um pouco frustrados, com uma dose de medo de perder, mas falamos sem tabus. Sem muralhas. E foi aí que senti-me ainda mais perto dele. Resolvemos (pois tudo tem solução) e os "meus" olhos cor de mar voltaram a brilhar.

Percebi igualmente a importância dos erros passados e foi tão bom errar antes e não agora. Não cair no mesmo! Saber usar esses "descuidos" a meu favor. 

Sou certamente uma mulher mais feliz desde que conheço o Paulo e, quanto mais o percorro, mais feliz sou. Mas não só pelo que acrescenta, mas pelo que me ensina. Não impõe. Não exige. E eu livremente cresço. Todos os dias me sinto mais mulher. Mais autêntica. Mais capaz.

E por falar em capaz, querido diário, mudei de trabalho. Começo na sexta-feira. Primeiro voltei a dramatizar. Depois percebi que na vida temos que facilitar. Relaxar. E deixar fluir. E sinto isso mesmo, entrei no modo "fluir". Seja como o Universo quer que seja. Cabe-me dar o meu melhor, de resto, não poderei fazer mais nada. Por isso porquê sofrer? Porquê? Para quê? Relaxar, é a palavra de hoje.

R-E-L-A-X-A-R

M

 

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