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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

10 de Agosto de 2020

Querido diário,

hoje quase que amanheci com o sol. Precisei de me deitar cedo. Recarregar energias para uma semana que se avizinha vivida. Hoje o Paulo vai estar comigo antes do trabalho, mas vamos estar duas horas desse tempo a trabalhar cada um nas suas coisas. Ele precisa de estudar, eu de meditar e ler um pouco. Vamos ver como corre a dinâmica.

Um namoro ou qualquer relação é um verdadeiro desafio. Mas estamos cá para o superar! 

Mas meu diário, está tanto nevoeiro lá fora. Admito que sentia falta de um dia fresquinho. :) Vou fazer para que seja um dia fresco e tranquilo.

M

9 de Agosto de 2020

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Querido diário,

desculpa a ausência! Penso que é mesmo característico da paixão a vida numa bolha de amor (por uns tempos).

Têm sido dias de muito regar a nossa planta, tratar, por adubo, por ao sol, resguardar á noite. Estamos apaixonados! E como tal queremos e vivemos ao máximo a potencialidade desse amor! 

Ele não é perfeito, mas roça muito nela. Não me tenta mudar, tenta entender aprofundadamente cada passo que dou. Cada atitude que tomo. Eu tento fazer o mesmo que ele mas não sou assim tão perita no amor, como sabes. Vivi relações tóxicas e para mim isto é uma novidade! 

Começamos á procura de casa. Dizes tu: Loucos! Já ouvimos de tudo, mas quem mais queremos ouvir é a nossa alma. E ela diz-nos que é o momento, com calma, encontrar um canto de amor. Onde poderemos viver a nossa individualidade e também a nossa simbiose. 

Estou muito segura no que estou a viver, ele também. E continuamos assim, com a nossa nova “casa” em cada um e a sorrir para a vida! Ele veio acrescentar tanto...

No entanto já preciso de um tempo para mim, como sei que ele precisa. Quase toda esta semana o será. Meditar de novo, cuidar do meu Eu Maior. 

Estou muito grata pela tua vinda Paulo❤️

 

 

29 de Julho de 2020

Querido diário,

não te escrevo à algum tempo! Como já disse sou um mundo de emoções e estados de espírito. Tenho aliviado a carga dizendo a mim mesma que não faz mal. Que tudo está bem. Que tudo está certo. Que tudo está no sítio correcto.

Mas nem sempre está e eu tenho que me manter firme e convicta que no fim do dia chego a casa. Rodeio-me de amor. De gestos de compaixão do mundo. (Que palavra tão linda).  De palavras de amor das minhas pessoas.

Estive na Ericeira a passar um fim-de-semana, querido diário. Senti-me tão envolvida pelo mar, pela sua imensidão, pela sua frescura. Deixei-me ir. E às vezes não é tão só isso? Deixarmo-nos ir? Aprendermos a gostar de nossa companhia e logo, conseguimos, mais facilmente, desfrutar mais da de uma outra pessoa.

Sim estou apaixonada. Intensamente apaixonada. Ele é o "culpado" da minha carga pessoal estar cada vez mais aliviada, mas também (e muito) eu. Porque sem mim, ninguém nem nada pode fazer algo. 

Gostava de te deixar algumas fotografias para documentar mas o telemóvel avariou.

Deixo-te a sensação a uma tarde de verão no mar da Ericeira <3

M

20 de Julho de - Parte II

Querido diário,

tenho tentado ser a minha melhor versão mas dei-me conta que muito para ser aceite. Já te falei, sei. Mas começo a perceber que já não me importa tanto o que vão pensar de mim. Conheci uma família linda, que me ajudou a desbloquear o que sou. Jantei com eles e falei, falei, vulneravelmente e senti-me forte e em casa. 

Penso mais na roupa bonita que vou vestir para mim. Sabes que até ultrapassei a imagem de estar mais cheia com o cabelo comprido e mais magra com ele curto? E vou deixa-lo crescer! Tenho saudades dos rabos-de-cavalo, dos laços... Da minha franja que me conferia um ar mais novo. Tenho saudades de algumas coisas. Outras nem tantos. Dos amores destrutivos, das relações tóxicas: não obrigada! De eu própria ser tóxica e não potenciar a minha luz para coisas boas!  Querido diário deixo-te uma fotografia com os meus vinte e tal anos e com o cabelo que tive ate aos 31 anos. 

M

 

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20 de Julho de 2020

Querido diário,

por vezes temos que ver de longe para entender. Perceber que quando nos atacam estão na verdade a atacar-se. E o que há a fazer? Resguardar-nos e cuidar do nosso centro para não descentrar. 

O que nos apontam, muitas vezes não está em nós, está nos outros. Somos um género de espelho. Cabe-nos não alimentar. E o problema desta vez foi que alimentei e ao fazê-lo feri-me e feri os outros. 

Já pedi perdão e disse que amava. Mas só o tempo resolve. 

Querido diário, sou de alguma forma, de igual modo, abencoada. Ontem conheci uma mulher incrível. Sem querer vomitei as minhas angústias e medos. Mais uma vez fui vulnerável. E é essa vulnerabilidade que me esta a fazer crescer. Tomar consciência de quem sou e para onde quero ir. 

Com amor,

M

16 de Julho de 2020

Querido diário,

Falo-te de aceitação. O tema do meu dia. Aceitação do corpo, das coisas que consigo e não fazer e de como não controlamos nada da nossa vida. 

Com tudo este clima de medo do futuro, eu tento manter alguma normalidade. Mas é tão difícil olhar para o futuro este momento. Eu que sempre quis ter o controlo da minha vida. Que, querido diário, se descontrolou tantas vezes.

Mas como dizia, neste tempo, é tão reconfortante quando conhecemos alguém que fala a mesma linguagem que nós. Que não recrimina ou julga. Que nos aceita.

Bem sei que a mais importante aceitação terá que ser de mim própria. De como me vejo no espelho, de como aceito o que consigo fazer, de como não controlo nada e como diz a Catarina Beato: "A vida resolve-se sozinha".

Hoje tive um momento de imensa lucidez. Percebi até onde eu podia ir e até onde me fazia sofrer o resistir. Há coisas, que outras pessoas conseguem, mas eu não consigo alcançar. E isso foi um alívio. Admito que a aceitação do outro ajudou-me a ver com mais clareza o panorama. Mas querido diário, eu percebi. 

Aceitei. Agradeci. Segui. 

Com amor,

M

14 de Julho de 2020 - II Parte

Meu querido diário,

é a segunda vez que te falo hoje. Mas que dia ambíguo! Acordei cansada, mas com tanto amor no coração. Acabei o dia exausta e com o coração inseguro. Sim uma mulher feliz também pode vacilar. Não há mal em ser vulnerável. Só os fortes são capazes.

Hoje as roupas não serviam o meu corpo. Era eu quem servia as roupas. Olhava-me e via-me disforme. Que pecado! Como a minha terapeuta verbalizou "Não andamos para trás, no máximo estagnamos". E foi isso mesmo, estagnei hoje. Sobrevivi. Em vez de deixar o sol bater-me nas sardas. Vesti a roupa mais larga que tenho, com medo das minhas formas. São tão belas, eu sei. Foi preciso falar contigo, meu querido, para me sentir aliviada. És o meu novo amigo e espero que estejam a gostar de nos ler.

A aceitação do corpo na vida é um processo diferente para todas as pessoas. Para mim é um espaço de tempo que dura desde sempre. Agora, aos 32 anos estou perto de me sentir mais plena. Mais feliz.

O amor que sinto que o meu namorado tem comigo, como espelho, ajuda e muito. A aceitação do outro não deve ditar a nossa vida, mas é tão bom quando alguém nos aceita como somos. Com as nossas imperfeições. Com as nossas particularidades. E mais. Quando com o passar dos dias parecem cada vez mais apaixonados pela nossa luz, que vêem através de uma sombra. Que já falei, cá está e estará, mas é cada vez mais dominada.

Quanto mais falo contigo meu querido diário, melhor me sinto. Estou a ouvir uma música cantada pelo Salvador Sobral e o António Zambujo - "Só um beijo". É uma óptima forma de ainda hoje voltar ao meu centro. Pois há dentro de nós sempre um lugar de salvação. Onde somos pais, irmãos, amigos de nós próprios. E sem "pena" de nós próprios cuidamos da nossa essência.

Uma boa noite,

M

 

 

Dia 14 de Julho de 2020

Querido diário,

vou falar-te de amor. O amor que tenho em mim. O amor que sinto numa relação. Tive inúmeras mortes e renascimentos. Amei intensamente algumas pessoas. Mas como te contei ontem, procurava as coisas "erradas". Procurava aprovação, reconhecimento, atenção. E do outro lado procuravam mudar a minha essência.

Hoje estou mais alerta. Abri-me ao amor de novo, mas já com um maior amor-próprio. Um maior autoconhecimento. Um recorrer à bagagem de uma forma construtiva e não destrutiva. 

Sinto-me capaz de amar o mundo. De perdoa-lo. Aceita-lo. Não o negar. Entrego o que sou, sem medo, mas com cautela. As cicatrizes deixam marcas. Sabes querido diário, elas, mal geridas dentro de mim, podem boicotar o meu presente e por consequência o meu futuro.

Abro-me totalmente ao amor, querido diário. Dou e sou retribuída na mesma medida. Sem falsas promessas, sem pressa. Abraço as sombras do outro, desço com ele ao fundo e seguimos na luz.

Hoje sinto-me assim: amada e com amor.

Com amor,

M

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Dia 13 de Julho de 2020

Querido diário,

Esta é a tua primeira página. A página que dá inicio às aventuras, aos passeios, aos trabalhos, aos pensamentos e a todo um mundo que se quer intenso dentro de mim.

Sabes, já me acusaram de intensidade a mais, querido diário? Eu sou um mundo, modéstia à parte claro, um mundo de cores, feitios, formas e não importa o entusiasmo com que sinto a vida. Não me importa mais. Já importou, quando afastava sucessivamente pessoas da minha vida. Agora aceito. Entrego-me. Rendo-me. E aceito que ter mais magnitude nos gestos é o meu caminho.

Perdoei-me pelos amores que doeram, pelos inúmeros amores. Pelas, fracassadas, tentativas de ser feliz preenchida pelo outro. Sentia-me só, querido diário. Sentia-me terrivelmente e irremediavelmente só. 

Perdoei-me. Pedi perdão ao Universo. Mas acima de tudo comecei a olhar para mim com uma visão de maior normalidade, pois porque não a forma como eu vivo estar certa? Porque não agir com normalidade na "anormalidade".

Conheci uma pessoa. Que em pouco tempo me ensinou que a particularidade não me define e faz de mim especial. E foi realmente assim, querido diário, que me comecei a ver: ESPECIAL.

Cada vez mais percebo que a roupa é feita para nos servir e não nós aos tamanhos grandes ou pequenos. Que as minhas sardas são um encanto. Que as minhas curvas me conferem o aspecto do que sou, mulher. E tantas coisas mais, querido diário. 

Tenho tanto mais para te falar mas já é tarde. Vou dormir.

Amanhã falaremos mais.

Com amor,

M

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