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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

17 de Agosto de 2020

 

Querido diário,

têm sido dias lindos, como já te disse. Ontem subimos ao topo do edifício onde o Paulo vive, com bastantes andares, e uma vista sobre a cidade e abrimos um Mateus e umas pizzas e foi uma das coisas mais românticas que já fiz. De manta no chão e olhar o céu, continuamos a olhar na mesma direcção. Até que chuviscou e foi tão bonito.

Um dia ensinaram-me que deveríamos pedir à entidade que acreditamos, seja Deus (como eu), Universo, enfim, o que desejamos. E um dia eu escrevi as características do homem que queria para a minha vida. Farta de sofrer, farta de falhar. E ele apareceu. É pouco tempo "humano", mas muito tempo emocional. Vivemos muito. Sentimos muito. Fazemos por isso. Não somos perfeitos... E temos percebido isso que agora temos passado muito mais tempo juntos. Está a ser uma aventura linda.

Meu diário sinto que por vezes perder o norte é encontrar o centro. E este Verão estou mais em mim do que nunca.

M
 

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16 de Agosto de 2020

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Querido diário bom dia ☀️,

volto a não vir aqui à algum tempo. Sabes como sou, por vezes ocupo tanto a minha vida que pouco tempo me resta, perdoa-me!

Tenho tido dias de descoberta. Afastar-me do que é o meu “habitat natural” tem-me ajudado a por as coisas em perspectiva.

Meu querido, ontem sai do cinema por volta das 21, e atravessei o Campo Grande a pé e a cantarolar e descalça! Esta é a Marta que poucos conhecem. Que não faço questão que aprovem mas que se está a descobrir. Uma Marta com menos peso.

Fomos beber um copo á esplanada, levamos com os raios de sol no rosto enquanto falamos de como está a ser esta experiência, com dias limitados, em Lisboa. E o que pensávamos que ia ser difícil tornou-se leve, fluido e até, diria, natural. A mãe do Paulo é um encanto e deixa-me além do avontade. Estamos a criar um elo de amizade muito saudável. É uma lutadora e uma mulher do mundo. 

Fomos ver ao cinema “A impossibilidade de estar só”. Achei muito bonita a fotografia, as paisagens da costa Alentejana! Lindo. A música também. Não achei o argumento muito invulgar mas gostei no todo. E como tinha saudades do cinema. E éramos só nós❤️😂 

Bem meu querido diário, vou tentando dar mais notícias! 

M

 

 

9 de Agosto de 2020

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Querido diário,

desculpa a ausência! Penso que é mesmo característico da paixão a vida numa bolha de amor (por uns tempos).

Têm sido dias de muito regar a nossa planta, tratar, por adubo, por ao sol, resguardar á noite. Estamos apaixonados! E como tal queremos e vivemos ao máximo a potencialidade desse amor! 

Ele não é perfeito, mas roça muito nela. Não me tenta mudar, tenta entender aprofundadamente cada passo que dou. Cada atitude que tomo. Eu tento fazer o mesmo que ele mas não sou assim tão perita no amor, como sabes. Vivi relações tóxicas e para mim isto é uma novidade! 

Começamos á procura de casa. Dizes tu: Loucos! Já ouvimos de tudo, mas quem mais queremos ouvir é a nossa alma. E ela diz-nos que é o momento, com calma, encontrar um canto de amor. Onde poderemos viver a nossa individualidade e também a nossa simbiose. 

Estou muito segura no que estou a viver, ele também. E continuamos assim, com a nossa nova “casa” em cada um e a sorrir para a vida! Ele veio acrescentar tanto...

No entanto já preciso de um tempo para mim, como sei que ele precisa. Quase toda esta semana o será. Meditar de novo, cuidar do meu Eu Maior. 

Estou muito grata pela tua vinda Paulo❤️

 

 

29 de Julho de 2020

Querido diário,

não te escrevo à algum tempo! Como já disse sou um mundo de emoções e estados de espírito. Tenho aliviado a carga dizendo a mim mesma que não faz mal. Que tudo está bem. Que tudo está certo. Que tudo está no sítio correcto.

Mas nem sempre está e eu tenho que me manter firme e convicta que no fim do dia chego a casa. Rodeio-me de amor. De gestos de compaixão do mundo. (Que palavra tão linda).  De palavras de amor das minhas pessoas.

Estive na Ericeira a passar um fim-de-semana, querido diário. Senti-me tão envolvida pelo mar, pela sua imensidão, pela sua frescura. Deixei-me ir. E às vezes não é tão só isso? Deixarmo-nos ir? Aprendermos a gostar de nossa companhia e logo, conseguimos, mais facilmente, desfrutar mais da de uma outra pessoa.

Sim estou apaixonada. Intensamente apaixonada. Ele é o "culpado" da minha carga pessoal estar cada vez mais aliviada, mas também (e muito) eu. Porque sem mim, ninguém nem nada pode fazer algo. 

Gostava de te deixar algumas fotografias para documentar mas o telemóvel avariou.

Deixo-te a sensação a uma tarde de verão no mar da Ericeira <3

M

20 de Julho de 2020

Querido diário,

por vezes temos que ver de longe para entender. Perceber que quando nos atacam estão na verdade a atacar-se. E o que há a fazer? Resguardar-nos e cuidar do nosso centro para não descentrar. 

O que nos apontam, muitas vezes não está em nós, está nos outros. Somos um género de espelho. Cabe-nos não alimentar. E o problema desta vez foi que alimentei e ao fazê-lo feri-me e feri os outros. 

Já pedi perdão e disse que amava. Mas só o tempo resolve. 

Querido diário, sou de alguma forma, de igual modo, abencoada. Ontem conheci uma mulher incrível. Sem querer vomitei as minhas angústias e medos. Mais uma vez fui vulnerável. E é essa vulnerabilidade que me esta a fazer crescer. Tomar consciência de quem sou e para onde quero ir. 

Com amor,

M

16 de Julho de 2020

Querido diário,

Falo-te de aceitação. O tema do meu dia. Aceitação do corpo, das coisas que consigo e não fazer e de como não controlamos nada da nossa vida. 

Com tudo este clima de medo do futuro, eu tento manter alguma normalidade. Mas é tão difícil olhar para o futuro este momento. Eu que sempre quis ter o controlo da minha vida. Que, querido diário, se descontrolou tantas vezes.

Mas como dizia, neste tempo, é tão reconfortante quando conhecemos alguém que fala a mesma linguagem que nós. Que não recrimina ou julga. Que nos aceita.

Bem sei que a mais importante aceitação terá que ser de mim própria. De como me vejo no espelho, de como aceito o que consigo fazer, de como não controlo nada e como diz a Catarina Beato: "A vida resolve-se sozinha".

Hoje tive um momento de imensa lucidez. Percebi até onde eu podia ir e até onde me fazia sofrer o resistir. Há coisas, que outras pessoas conseguem, mas eu não consigo alcançar. E isso foi um alívio. Admito que a aceitação do outro ajudou-me a ver com mais clareza o panorama. Mas querido diário, eu percebi. 

Aceitei. Agradeci. Segui. 

Com amor,

M

Dia 14 de Julho de 2020

Querido diário,

vou falar-te de amor. O amor que tenho em mim. O amor que sinto numa relação. Tive inúmeras mortes e renascimentos. Amei intensamente algumas pessoas. Mas como te contei ontem, procurava as coisas "erradas". Procurava aprovação, reconhecimento, atenção. E do outro lado procuravam mudar a minha essência.

Hoje estou mais alerta. Abri-me ao amor de novo, mas já com um maior amor-próprio. Um maior autoconhecimento. Um recorrer à bagagem de uma forma construtiva e não destrutiva. 

Sinto-me capaz de amar o mundo. De perdoa-lo. Aceita-lo. Não o negar. Entrego o que sou, sem medo, mas com cautela. As cicatrizes deixam marcas. Sabes querido diário, elas, mal geridas dentro de mim, podem boicotar o meu presente e por consequência o meu futuro.

Abro-me totalmente ao amor, querido diário. Dou e sou retribuída na mesma medida. Sem falsas promessas, sem pressa. Abraço as sombras do outro, desço com ele ao fundo e seguimos na luz.

Hoje sinto-me assim: amada e com amor.

Com amor,

M

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Dia 13 de Julho de 2020

Querido diário,

Esta é a tua primeira página. A página que dá inicio às aventuras, aos passeios, aos trabalhos, aos pensamentos e a todo um mundo que se quer intenso dentro de mim.

Sabes, já me acusaram de intensidade a mais, querido diário? Eu sou um mundo, modéstia à parte claro, um mundo de cores, feitios, formas e não importa o entusiasmo com que sinto a vida. Não me importa mais. Já importou, quando afastava sucessivamente pessoas da minha vida. Agora aceito. Entrego-me. Rendo-me. E aceito que ter mais magnitude nos gestos é o meu caminho.

Perdoei-me pelos amores que doeram, pelos inúmeros amores. Pelas, fracassadas, tentativas de ser feliz preenchida pelo outro. Sentia-me só, querido diário. Sentia-me terrivelmente e irremediavelmente só. 

Perdoei-me. Pedi perdão ao Universo. Mas acima de tudo comecei a olhar para mim com uma visão de maior normalidade, pois porque não a forma como eu vivo estar certa? Porque não agir com normalidade na "anormalidade".

Conheci uma pessoa. Que em pouco tempo me ensinou que a particularidade não me define e faz de mim especial. E foi realmente assim, querido diário, que me comecei a ver: ESPECIAL.

Cada vez mais percebo que a roupa é feita para nos servir e não nós aos tamanhos grandes ou pequenos. Que as minhas sardas são um encanto. Que as minhas curvas me conferem o aspecto do que sou, mulher. E tantas coisas mais, querido diário. 

Tenho tanto mais para te falar mas já é tarde. Vou dormir.

Amanhã falaremos mais.

Com amor,

M

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