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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

Para ti meu amor

Meu amor,

porque mereces todos os dias uma ou duas palavras que te encham a alma. Índole incrivelmente bela. Que me desperta pela manhã com um sorriso salivado e me deita com um abraço másculo. 

Como é uma imensidão o teu olhar. Envolve-nos na extensão ilimitada do mar. Como são belos os teus olhos. Sei... Sei! Mas não me canso de os olhar meu Romeu. 

Percorres as ruas de Lisboa com uma calma só tua. Pé ante pé, enquanto te puxo para que quase corras. Mas para quê correr na vida? Para ela passar mais depressa? Tens razão! Jamais velocidade. Vamos percorrer o mundo ao teu ritmo para não perdermos nada. Para não nos escapar nenhum som. Nenhum aroma. Nenhum toque. 

E essa pancada leve que me dás na nuca enquanto me beijas. Enquanto nos tocamos de língua, de dentes, com tudo! Nós vamos com tudo. E não há ninguém que supere isso. Nunca senti esta magnitude com ninguém. Chegas-te, finalmente!

Perdoa-me quando só sei refilar. O amor é assim, um poço de contradições mas o que importa é que todos os dias da nossa vida sejamos felizes um com o outro.

Quero-te

M

Carta de amor

O que acham de um livro de cartas de amor?

A primeira carta:

"Começo aqui,
No momento que sei que não te encontrei. Já me tinha deparado contigo em outras existências. Outros empurrões. Outros safanões. Outras festas. Outros deleites.
Não me eras. Não me és. Pertences ao Universo e é Nele que deves permanecer. Persistir nessa vontade de só estar aí. Neste canto da sala. Como aqueles bibelôs dos nossos avôs. Preciosidades de porcelana rosa por toda a sala. Aliás! Por todo o espaço da casa. Tu és isso: casa. Estás por todo o lado. Respira-se o teu nome. Inalasse a tua fragrância.
Por vezes também se absorve saudade. Como um fado triste que se canta enquanto se regala o estômago com um caldo verde. É uma antítese. Enquanto se chora cantando, gozasse comendo. És isso: tempestade num alto mar maravilhosamente azul e infinito. És um prado verdejante de flores amarelinhas. Oh meu querido amor, como são amarelas as Margaridas. E como só poderias ter nome de flor. Aliás, tens todos os nomes de mulher, pois não és mais que todas as que existem, existiram ou existirão.
Sei que é meio saloio o que escrevo, possivelmente já te encontras a dormir. Mas este amor tão grande não me cabe dentro e a ti creio que também não (apesar da tua da sonolência).
Ouço Strauss e sinto-nos a dançar num largo salão. Rodopiando em nós mesmos. Como dois amantes da Disney. Como personagens de um romance delicado. De culto. O nosso amor é um oásis no meio deste areal seco onde vivemos. Atrás de máscaras que protegem a nossa vida mas que ocultam a expressão que outrora denunciava os teus finos lábios, o sorriso.
Oh Margarida, Rosa, Gerebera... Oh meu amor, como és delicadamente deliciosa. Agradável. Cheirosa. Meu campo. Meu jardim. Meu tudo.
Como comecei, sei que não te encontrei. Estavas cá. Desde sempre. O dia zero. Mas mesmo assim contamos dias, meses e um dia anos! Como se já não tivessem passado por nós muito mais de 365 dias.
Vou aconchegar-me junto a ti, nessa cama afeiçoadamente ardente. E adormecer. Mas aviso-te! Por poucas horas. Temos muito para existir. Para perpetuar e tatuar nas ruas o nosso odor de amor.
Agora descansa,
Do teu amor."

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