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Diário de uma mulher feliz

Diário de uma mulher feliz

15 de Outubro de 2020

Querido diário,

a aceitação do corpo ainda é um tema difícil para mim. Tem os seus dias. Há dias que me sinto uma princesa outras o sapo. 

Balança muito se a balança diz 51 ou 52 kgs. Um quilo! É ridículo eu sei. Até já não me lembro da idade que tinha quando pesei tão pouco. Provavelmente uns 25 anos, não sei. 

Acumularam-se rituais tóxicos, relações igualmente tóxicas que só me fizeram engordar e chegar aos 65 kgs (isto à cerca de 2 anos). O meu nervosismo era de tal ordem nessa fase da minha vida que desenvolvi uma doença auto-imune (urticária). Demorei, pelo que me recordo, um ano a a combater. Uma luta que meteu cortisona. Inchei, não me reconhecia. E só a afastar-me dessas crenças e relações entranhadas é que consegui, até hoje, vencer a doença e perder quase 15 kgs.

Mesmo assim ficou uma fraca auto-estima como "legado". E é contra ela que luto todos os dias. Nesta luta não existe mais ninguém a não ser eu mesma. Os outros até podem dizer que estou magra, que estou bonita, podem encher-me de palavras mas o que importa é como me sinto e como me vejo ao espelho.

Pouco importa se peso 51 ou 65, interessa sim como me sinto com isso. Pois não acredito nos estereótipos da sociedade que uma mulher bonita é magra, esquelética, por vezes. Acredito em mulher de bem com o seu corpo. Com a sua auto-imagem.

Acredito que tenho mais problemas agora ao espelho do que quando tinha 65 kgs

Estou na luta, não estamos sempre?

M

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07 de Outubro de 2020

Querido diário,

Existem dias que são como murros no estômago. Hoje eu e o Paulo descemos das nuvens pois percebemos a realidade: não somos prefeitos! Nem como casal, nem como pessoas. Não existe perfeição e é aí que reside o encanto. 

Sentamo-nos na cama, um pouco frustrados, com uma dose de medo de perder, mas falamos sem tabus. Sem muralhas. E foi aí que senti-me ainda mais perto dele. Resolvemos (pois tudo tem solução) e os "meus" olhos cor de mar voltaram a brilhar.

Percebi igualmente a importância dos erros passados e foi tão bom errar antes e não agora. Não cair no mesmo! Saber usar esses "descuidos" a meu favor. 

Sou certamente uma mulher mais feliz desde que conheço o Paulo e, quanto mais o percorro, mais feliz sou. Mas não só pelo que acrescenta, mas pelo que me ensina. Não impõe. Não exige. E eu livremente cresço. Todos os dias me sinto mais mulher. Mais autêntica. Mais capaz.

E por falar em capaz, querido diário, mudei de trabalho. Começo na sexta-feira. Primeiro voltei a dramatizar. Depois percebi que na vida temos que facilitar. Relaxar. E deixar fluir. E sinto isso mesmo, entrei no modo "fluir". Seja como o Universo quer que seja. Cabe-me dar o meu melhor, de resto, não poderei fazer mais nada. Por isso porquê sofrer? Porquê? Para quê? Relaxar, é a palavra de hoje.

R-E-L-A-X-A-R

M

 

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24 de Setembro de 2020

Querido diário,

 momentos em que queremos desesperadamente fugir. Não é preciso ter uma patologia psicológica e só necessário ser humano! Esta semana quis tantas vezes faze-lo. Existem coisas que saem do meu controlo e isso causa-me mau estar.

Na verdade não controlamos nada. Ou quase nada. E esta em questão deixa-me louca. Chego a casa todas as noites queixando-me e esqueço-me como o dia é bom. Como agora a minha vida é deliciosa. Como partilha-la com o Paulo é mágico! Estou genuinamente feliz. Estou naturalmente envolvida no nosso projecto de "adultos".

Não quero voltar à criança. Quero crescer. Quero fazer diferente. Quero ser feliz comigo. Quero ser feliz com ele. 

Outra bênção: a mãe dele! Podes não acreditar diário. Mas ela está a tornar-se uma grande amiga. Já temos programas nossos e conversas intimas. Ela ajuda-me em tudo e apoia-me incondicionalmente como uma filha. E sinto-me genuínamente em casa.

Apesar de essa casa estar onde o Paulo está. Esse tecto, essas paredes, esse chão está onde bater o seu coração e onde as nossas mãos forem juntas. 

Vou descansar. E pensar que a próxima semana será melhor. Porque é sempre para melhor, não é?

M

Carta de amor

O que acham de um livro de cartas de amor?

A primeira carta:

"Começo aqui,
No momento que sei que não te encontrei. Já me tinha deparado contigo em outras existências. Outros empurrões. Outros safanões. Outras festas. Outros deleites.
Não me eras. Não me és. Pertences ao Universo e é Nele que deves permanecer. Persistir nessa vontade de só estar aí. Neste canto da sala. Como aqueles bibelôs dos nossos avôs. Preciosidades de porcelana rosa por toda a sala. Aliás! Por todo o espaço da casa. Tu és isso: casa. Estás por todo o lado. Respira-se o teu nome. Inalasse a tua fragrância.
Por vezes também se absorve saudade. Como um fado triste que se canta enquanto se regala o estômago com um caldo verde. É uma antítese. Enquanto se chora cantando, gozasse comendo. És isso: tempestade num alto mar maravilhosamente azul e infinito. És um prado verdejante de flores amarelinhas. Oh meu querido amor, como são amarelas as Margaridas. E como só poderias ter nome de flor. Aliás, tens todos os nomes de mulher, pois não és mais que todas as que existem, existiram ou existirão.
Sei que é meio saloio o que escrevo, possivelmente já te encontras a dormir. Mas este amor tão grande não me cabe dentro e a ti creio que também não (apesar da tua da sonolência).
Ouço Strauss e sinto-nos a dançar num largo salão. Rodopiando em nós mesmos. Como dois amantes da Disney. Como personagens de um romance delicado. De culto. O nosso amor é um oásis no meio deste areal seco onde vivemos. Atrás de máscaras que protegem a nossa vida mas que ocultam a expressão que outrora denunciava os teus finos lábios, o sorriso.
Oh Margarida, Rosa, Gerebera... Oh meu amor, como és delicadamente deliciosa. Agradável. Cheirosa. Meu campo. Meu jardim. Meu tudo.
Como comecei, sei que não te encontrei. Estavas cá. Desde sempre. O dia zero. Mas mesmo assim contamos dias, meses e um dia anos! Como se já não tivessem passado por nós muito mais de 365 dias.
Vou aconchegar-me junto a ti, nessa cama afeiçoadamente ardente. E adormecer. Mas aviso-te! Por poucas horas. Temos muito para existir. Para perpetuar e tatuar nas ruas o nosso odor de amor.
Agora descansa,
Do teu amor."

20 de Setembro de 2020

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Querido diário,

sem dúvida o amor resgata-nos. Seja qual o tipo de amor que for! 

A madrugada de sexta foi terrível para mim. Desci ao lado mais negro de mim, raspei as paredes, berrei a Deus! Pedi a morte em silêncio enquanto ele me olhava com ternura. 

Não encontro uma resposta. Ou melhor, existem várias hipóteses que não estou preparada para partilhar! A verdade é que o Paulo esteve ao meu lado até eu cair exausta e de lágrimas no rosto.

Sermos vulneráveis ao pé de quem amamos é um ato de coragem. Não tenham dúvidas. Mas ser vulnerável ao lado dele, quase, pela primeira vez. Deixou-me insegura. Absolutamente perdida por um sábado que passei a curar a dor. Passei-o a dormir ao lado dele, quando não era esse o combinado. Mas mais uma vez a sua inteligência emocional fê-lo ficar a contemplar-me enquanto dormia da dor.

Quando finalmente repus energias só tive vontade de o tocar e sentir. Um fervor que não sei de onde veio mas que sarou qualquer ferida que eu tinha. Um amor milenar, como já referi. 

Ele é a minha pessoa, estou em casa. Dia 1000000000000♥️✨

M

 

 

06 de Setembro de 2020

Querido diário,

hoje culminou parte das férias do Paulo♥️ Foi uma semana muito intensa. Passeios pela mata de Alvalade, percursos pelo IKEA, cafés pela avenida... E tanto, tanto amor ✨ É tão lindo quando o amor é recíproco. 

Ele merece tudo de mim. Poderia ser um delírio de apaixonada mas é uma consciência de quem pediu ao Universo uma relação saudável e obteve-a!

Hoje acabamos a noite a comer um gelado no “surf” no fim da Av de Roma. E foi ótimo ❤️✨🤗 

Querido diário,

gratidão! 

M

 

03 de Setembro de 2020

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Querido diário,

coloquei uma intenção no Universo e quero muito acreditar nela! Aliás eu acredito. Por isso saí de casa. Sem pudor quanto às minhas tatuagens, num vestido que as denunciava uma a uma. Saí para ler um pouco e pegar nos raios do sol que me aqueciam a nuca.

Hoje ridicularizei opiniões de quem se vê no escuro e pensa que ele está nos outros. Não que seja motivo de escárnio! Não é. É triste. Mas como ajudar quem não quer melhorar? Quem acha que assim é que se está bem?

Hoje beijei de língua. Abraçei de arco. Olhei até ao fígado, passei, claro, pelo coração. 

Amei e fui totalmente amada. Agradeci e fui acarinhada. Sonhei e fui resgatada. 

Hoje ouvi dizer que Setembro é o mês dos recomeços. Foi o mês do recomeço dele. Também o meu pois caminhamos lado a lado. Em zonas diferentes mas com o mesmo caminho lá bem ao fundo da nossa visão. 

Hoje respirei fundo e não é que acreditei? 

Bem-vindo Setembro querido♥️

 

16 de Agosto de 2020

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Querido diário bom dia ☀️,

volto a não vir aqui à algum tempo. Sabes como sou, por vezes ocupo tanto a minha vida que pouco tempo me resta, perdoa-me!

Tenho tido dias de descoberta. Afastar-me do que é o meu “habitat natural” tem-me ajudado a por as coisas em perspectiva.

Meu querido, ontem sai do cinema por volta das 21, e atravessei o Campo Grande a pé e a cantarolar e descalça! Esta é a Marta que poucos conhecem. Que não faço questão que aprovem mas que se está a descobrir. Uma Marta com menos peso.

Fomos beber um copo á esplanada, levamos com os raios de sol no rosto enquanto falamos de como está a ser esta experiência, com dias limitados, em Lisboa. E o que pensávamos que ia ser difícil tornou-se leve, fluido e até, diria, natural. A mãe do Paulo é um encanto e deixa-me além do avontade. Estamos a criar um elo de amizade muito saudável. É uma lutadora e uma mulher do mundo. 

Fomos ver ao cinema “A impossibilidade de estar só”. Achei muito bonita a fotografia, as paisagens da costa Alentejana! Lindo. A música também. Não achei o argumento muito invulgar mas gostei no todo. E como tinha saudades do cinema. E éramos só nós❤️😂 

Bem meu querido diário, vou tentando dar mais notícias! 

M

 

 

11 de Agosto de 2020

 

Querido diário,

hoje acordei cansada. Ando preocupada com isso. O meu trabalho não é propriamente exaustivo. Li sobre cansaço crónico e terei que falar com os meus terapeutas sobre isso. 

Faço qualquer movimento ou tenho qualquer emoção e fico exausta fisicamente. Começam a doer-me os braços, o corpo e acabo deprimida por estar assim e ficar frustrada.

Quanto a nova casa, não é possível. Não tem qualquer transporte para Lisboa e não posso ficar dependente das boleias do Paulo. Tomamos a decisão de parar um pouco. Estamos cansados da procura. Vamos abrandar, esperar uns tempos. Este ano não tenho férias, vamos em Setembro, o único fim de semana que consegui tirar, passar a algum sítio para recarregar energias. Vamos hoje decidir onde. Darei notícias ;)

Para a semana fico sozinha em casa, vou passar a semana a Lisboa a casa dele. Vai ser bom para nos conhecermos ainda melhor. Como já disse estamos apaixonados, muito apaixonados. Mas ainda temos muito para conhecer. Vamos aproveitar a cidade e o que ela tem para nos oferecer, ao mesmo tempo que estamos a trabalhar e a viver a nossa individualidade. Tenho a certeza que vai ser óptimo.

Sabem aquela sensação de parecer que já nos conhecemos à uma vida? É partilhada pelos dois. E isso já não tem a ver com a paixão, mas com a minha crença em outras vidas. Sinto que já o conheço de outros "festivais". E é tão casa.

Até já diário,

M

✨🙏

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Querido diário (novamente) fomos á cafeteria do Palácio de Queluz. É tão linda ❤️✨

Recebemos lá a notícia que por um lado me deu esperança mas desmotivou o Paulo. A casa no campo que tínhamos gostado já tinha outros arrendatários. No entanto foi-nos apresentada outra proposta, que francamente, gostei mais! Uma casa térrea, com um pátio! (Já imagino as flores e os jantares com amigos) 

Torçam por nós ✨🙏❤️ 

M

 

 

 

 

 

 

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